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Momento Depressivo

depressaoA nossa vida é gerida com o desenvolver de situações que, de certa forma, nos vão influenciando.

Todas as nossas tomadas de decisão vão-se acumulando, e vão definindo e caracterizando o que somos na verdade.

Contudo, há certos momentos em que nos vimos obrigados a abrandar, na tentativa de retirar o peso desse acumular de situações da nossa vida.

Tudo o que vivemos, passamos ou sentimos, vai-se depositando na secção sentimental e espiritual, cabendo a nós saber gerir e organizar.

Tal como tudo na vida, as coisas boas e más aparecem sem que tenham um pré-aviso de chegada.

Mas têm sempre alojamento na nossa vida, em nós mesmos.

Nenhum de nós foge à regra, pois a nossa vida é uma pura variante de momentos bons e menos bons.

E quando tomamos realidade disso, vemo-nos naquela fase da vida em que somos obrigados a um retiro espiritual e pessoal.

Retiro esse, obrigatório, que é simplesmente uma consequência de um momento depressivo que vivenciamos.

Momento esse em que a nossa mente e o nosso espírito juntam-se e aliam-se a uma depressão, que nos obriga a sentir sentimentos depressivos e de energia negativa.

E eu, mero mortal, deixei-me levar pelos sentimentos e pelas situações da minha vida, encontrando-me agora num momento depressivo.

Eis a explicação da minha ausência aqui no meu/nosso Cais do Pensamento.

Até a caneta me abandonou, pois recusa-se a entregar-se a cada linha das folhas do meu caderno de divagações.

Ela não tem culpa, pois a minha inspiração recusa-se a exercer os momentos necessários para que ela possa entregar-se em palavras a cada linha do meu caderno.

A única culpada sou eu, que me deixei cair na depressão, como uma folha que se deixa cair do cimo de uma árvore.

Tal como essa folha, eu sinto-me em baixo e perdida no meio de tanta folhagem, na esperança da chegada de uma rajada de vento que me possa elevar, para me poder levantar deste sentimento frio e pesado.

Neste momento há quem me pergunte onde coloquei todos os meu pensamentos positivos e de força, que tanto lhes transmitia.

E eu repondo-lhes que esse pensamentos também se renderam a este maldito momento depressivo.

Sei muito bem que eles continuam dentro de mim, pois sinto-lhes a força e poder, mas estão congelados pelo sentimento triste e frio de uma depressão que apareceu sem avisar.

Por breves momentos os sentimentos positivos, que em mim habitam, dão sinal de si para me mostrarem que ainda estão vivos, mas no momento seguinte eles perdem as forças e voltam a gelar, dando o seu lugar aos pensamentos tristes e negativos.

Estes altos e baixo só alimentam, cada vez mais, esta depressão que não baixa armas.

Tem alturas em que me olho ao espelho e não encontro motivo ou explicação para a minha existência, e dou comigo a desejar ir para o outro mundo onde lideram sentimentos de Paz.

No entanto, e mesmo sem ter partido para esse mundo, dou comigo numa auto-critica por eu desejar uma coisa tão impensável num ser de vida e ainda tem muita para viver e reviver.

É nesse momento que volta a acender a luz indicadora da minha energia positiva, mesmo que ela se acenda apenas por breves momentos.

Talvez seja ela que ainda me mantém aqui, a respirar e a lutar contra esta maldita depressão.

Sabendo eu que sozinha não sou nada, e que com a ajuda de terceiros poderei expulsar esta “virose depressiva” que anda por aí, vou-me aliar então a essa ajuda e fazer um retiro espiritual e pessoal.

Esperançada em recarregar as minhas energias, renascendo desta vez mais forte e de Karma no seu auge.

Apesar deste meu retiro, e pausa nas divagações, desejo que quando eu voltar vos possa encontrar neste meu/nosso cantinho.

Até lá…Sejam felizes!

Marta Costa

O que (realmente) somos

martaMuito do que somos vai para além do que, simplesmente, seres mortais revestidos de pele, carne e osso.

Somos bem mais do que meros seres vivos, em eterna busca de razões existenciais.

Mesmo vivendo por debaixo de uma imagem da qual é reflectida no espelho, em conformidade com as características mais superficiais de cada um.

Mas o que não vemos nesse espelho é o reflexo do que realmente somos.

Pois somos algo mais do que aquilo que vemos!

Muitas pessoas dão plena importância à imagem e ao aspecto físico, tornando-se assim em pessoas meramente superficiais.

No entanto, e devido a essa obsessão pelo aspecto exterior, esquecem-se de cultivar o seu mais profundo, e verdadeiro, ser.

Esse cultivo é a simples dedicação e melhoramento do verdadeiro “eu”.

Nos decorrentes tempos socializamos e vivemos com inúmeras pessoas que, na sua maioria, são pessoas superficiais em que evocam toda a sua atenção e cuidado a serem bem-parecidas e, por conseguinte, admiradas por terceiros.

Percorrem o seu caminho cruzando-se com outros caminhos, mostrando o que são, ou melhor, o que aparentam ser.

Tudo por um único objectivo de carácter exterior e material.

Na verdade, o que muitas pessoas fazem é camuflar o que realmente são por entre pinturas e bens materiais, na esperança de se afirmarem perante os demais.

Contudo, esquecem-se de algo muito importante que é o facto de que nada é mais verdadeiro e puro do que o nosso íntimo ser.

Mas, com o tempo, esse mais profundo ser virá à superfície e, sem qualquer hesitação, desvendará o que há por detrás daquele “aparato” todo.

Aí, descobrimos que essas pessoas superficiais não passam de frustrados com a vida, pois a nível espiritual e pessoal criaram um desequilíbrio que só é “esquecido” com a criação de uma boa imagem.

Isto tudo porque se esqueceram do cultivo do seu íntimo e do seu ser mais profundo e verdadeiro.

Cultivo esse que deveria ser um hábito saudável de cada um, a cada novo dia das suas vidas.

Só através desse cultivo espiritual e pessoal é que podemos ser consideradas pessoas bonitas aos olhos dos outros.

A criação de um equilíbrio no nosso mais verdadeiro e profundo ser, só será possível se estivermos em Paz e Harmonia connosco mesmos, com os outros e com o mundo.

Essa harmonia é conquistada pela “luta” constante da negação do mal, e pela prática e aceitação constante do bem.

Sempre que praticarmos o bem e sempre que construirmos sentimentos saudáveis, estamos a criar uma forte energia harmoniosa dentro de nós, e isso irá reflectir-se no mundo e aos olhos dos outros.

Desta maneira seremos, verdadeiramente, admirados pelos outros.

Pois com a nossa alma de braços abertos ao bem, tornamo-nos em pessoas boas de coração e belas de espírito, e essa será a nossa mais pura beleza.

Caso contrário, se nos aliarmos ao poder do mal e se mantivermos sentimentos maliciosos dentro de nós, só iremos construir a nossa rejeição perante os outros e perante a nossa própria vida, que só nos trará coisas más pois é com elas que vivemos interiormente.

Com isto, acabamos por nos tornar em pessoas más e feias, mesmo que tenhamos a satisfação material e superficial.

A beleza de uma pessoa não se vê no seu aspecto exterior, pois só se criam sentimentos e/ou relações superficiais.

A verdadeira beleza de uma pessoa está no seu interior, no seu mais profundo e puro ser.

Uma pessoa de beleza pura é aquela que faz tudo com o coração e com a alma pura de honestidade.

Essa sim, será uma pessoa de bem com a vida e com os outros, pois sabe o que é construir e manter relações saudáveis e verdadeiras, onde a base será a honestidade e não a aparência.

O primeiro, e principal, passo para que cada um possa mostrar e revelar a beleza que todos nós possuímos, é expulsar o mal e praticar todos os dias o bem.

Fazendo desse mesmo bem um modo saudável de vida!

Marta Costa

O Fim

fim1Tudo o que um dia começou, um dia também irá ter o seu fim.

Tal como a vida que um dia começou, terá certamente um dia marcado para findar.

Apesar de existirem coisas que foram criadas em determinado tempo e espaço, e que jamais terminarão devido à sua utilidade e características, não são coisas verdadeiras e de vida.

Pois tudo o que é verdadeiro e de vida tem a sua terminação, tal como a própria vida.

Um dia Deus criou cada ser que habita a Terra, e juntamente com essa dádiva foi criada um conjunto de condições, do qual temos que lidar e saber lidar com ela, da melhor maneira.

Condições básicas que todos podem cometer para que a duração da vida seja longa em qualidade, e repleta de coisas boas e magníficas.

Saber viver a vida enquanto ela nos pertence e sempre da maneira mais saudável e honesta, para nós e para os outros.

Saber aproveitar, sem receios e/ou hesitações, o que a vida tem guardado para nos ofertar enquanto somos dignos dessas mesmas «ofertas».

Essas «ofertas» só serão possíveis de obter se, ao longo da vida, cometermos actos de bondade e acções que inovem e cuidem da saúde do nosso planeta.

Para que, no final, quando chegar o término da vida, o possamos ver com outros olhos e com outras forças.

 A última condição é, pura e simplesmente, a aceitação da realidade de que há coisas que tem um fim, e a vida não é excepção.

Essa aceitação deve ser encarada de forma consciente da realidade da vida, quando vivemos uma perda de alguém que nos é chegado, ou de alguém que um dia fez parte da nossa vida.

Quando perdemos alguém que nos é querido, vemos a nossa vida a sofrer um abalo, que julgamos ser incapazes de o ultrapassar ou sobreviver.

A verdade é que muitas pessoas não sabem lidar, de forma espiritual, com a morte e deixam-se cair no sofrimento que as vai engolindo cada vez mais no mundo da dor e do desgosto.

Obviamente que é muito mais fácil estar do lado oposto a essas pessoas, pois vemos as coisas de forma diferente e mais racional.

Mas há que, desde o início, ter em mente que o fenómeno da morte não acontece só aos outros, e que faz parte dos últimos elementos da vida que qualquer um de nós irá viver essa dor de perda, como também vamos acabar por sucumbir aos braços da morte.

A morte é uma condição de vida da qual temos que, obrigatoriamente, aceitar.

Pois a própria vida tem um fim, e esse fim tem um nome, morte.

Certamente que não é fácil lidar com ela, pois perder alguém é das piores coisas que nos pode acontecer, e a dificuldade de viver esse acontecimento é outro obstáculo que cabe a cada um de nós saber ultrapassar.

Choramos de dor essa perda, sofremos ao recordar a personagem principal dessa mesma perda, e voltamos a chorar.

Todo este cenário de luto só faz com que as pessoas criem um mundo sofredor e penoso, por não terem sido, atempadamente, «treinadas» espiritualmente para compreenderem e aceitarem o fenómeno da morte, que nos espera a qualquer um, quando menos contamos.

É sabido que quem mais sofre é quem vê partir, do que quem parte.

Mas esse sofrimento deverá ser atenuado com a consciencialização de que a «partida» faz parte da vida, e que nada nem ninguém podem contrariar a vontade do nosso criador, Deus.

A recordação é um modo de honrar e imortalizar quem terminou, por lei do destino, a passagem na vida e que passou para outro mundo, o espiritual.

As pessoas que por destino se entregam aos braços da morte, saem fisicamente das nossas vidas mas continuam espiritualmente dentro de nós, e estarão sempre ao nosso lado a olharem por nós.

Por esse motivo, é que devemos deixar o sofrimento fora de nós, porque certamente não é o que, quem partiu fisicamente, quereria para nós.

A vida continua, morte após morte, e temos que dar continuidade às nossas vidas mesmo quando vivemos uma perda, ou o fim de uma vida.

Deus quando fecha uma porta abre sempre uma janela, e por isso é que quando Ele recebe no seu mundo algum de nós, ele devolve outra vida ao mundo, que sentiu a perda de um elemento.

A esse fenómeno dá-se o nome de renovação de vida, em que quando é retirada uma flor de vida, logo é plantada uma semente cheia de vida nova.

Ou seja, quando alguém termina o percurso do caminho da vida e cumpre a sua missão na Terra, Deus coloca nova vida nessa mesma Terra com novos caminhos e com novas missões para serem cumpridas.

Essas semente são nada mais, nada menos, do que novas vidas de sangue fresco, que irão percorrer o caminha existencial cumprindo as suas missões e dando continuidade ao tratamento e inovação do Planeta.

O seu principal papel não é ocupar o lugar vazio deixado por alguém que findou a sua vida, mas sim um papel meramente importante na inovação e renovação de mentalidades, que podem mudar o mundo e ajudar na sua conservação.

O mundo foi projectado para sustentar a vida, e se esta não se renovasse não haveria a continuidade desse mesmo mundo.

Por isso ser verdade, Deus quando criou o mundo criou com ele a vida com a condicionante da morte.

Se não existisse a morte não se renovaria a vida e, por conseguinte, o mundo estagnaria pela extinção de novas mentalidades, que por si só dão continuidade e evolução à existência do próprio mundo.

Este é o ciclo da vida, o qual temos que aceitar porque sempre foi assim, assim o é, e assim continuará a ser para o resto da existência da vida.

Nada poderá evitar ou acabar com o ciclo da vida, pois se ele deixar de existir, todos nós passaríamos a fazer parte das espécies extintas, juntamente com a vida e o mundo.

A todos nós, resta-nos aceitar as leis divinas de Deus, e viver a vida sempre da maneira mais saudável e honesta com os olhos postos no cumprimento, vitorioso, das nossas missões na Terra.

Para que um dia, quando chegarmos ao fim do caminho da nossa vida, possamos partir descansados e em Paz com a plena certeza de que demos o nosso melhor para nós mesmos, para os outros e para a vida do Mundo.

Marta Costa

Verdadeiros Seres

Verdadeiros Seres

Tu, eu e nós todos fomos criados por um ser divino, e em conformidade com as leis da Natureza que, por seu turno, teve um papel primordialmente maternal.

Fomos criados à imagem de Deus, e aperfeiçoados com detalhes da mãe Natureza.

Cada um de nós possuí características, quer físicas quer intelectuais, que são a nossa mais verdadeira e inigualável identificação.

Apesar de haver muitas diferenças entre eu, tu e nós, todos somos especiais e perfeitos aos olhos de Deus e da Natureza.

Como toda a gente sabe, ou deveria saber, não há pessoas melhores ou piores que outras, apenas existem pessoas diferentes.

É esse conjunto de diferenças que fazem com que cada um seja um ser especial e perfeito, à sua maneira.

Esta realidade só é verdade porque tudo o que é criado por Deus e pela Natureza, é belo e único na sua plenitude.

No entanto, existem pessoas que cometem actos que vão em contrariedade com o que Deus e a Natureza criaram, em nós e para nós.

Estes actos, cometidos por seres iguais a nós, deixam cair por terra toda a perfeição que um dia foi imaginada para o mundo, pelos nossos criadores.

Felizmente, ainda existem pessoas de bom coração que, com dedicação, «teimam» em dar continuidade às leis divinas e naturais.

Seres esses que são a mais verdadeira obra-prima da Natureza e de Deus.

São seres únicos e repletos de bondade e pureza, que vivem a vida como ela deve ser vivida e que lutam, continuamente, com as verdadeiras forças da Natureza.

Esta luta constante é a pura consequência dos entraves a que a sociedade de hoje os sujeitou, por os acharem pessoas inferiores a nós e, por esse motivo, as catalogam com o nome - deficientes.

Esse é o grande obstáculo que, estes seres maravilhosos, têm que enfrentar diariamente para o ultrapassar, e mudar.

Pois muitas pessoas vêm-nos, erradamente, como «aberrações» da Natureza, só por possuírem algumas diferenças em relação a nós.

Esta é uma visão infeliz na sua plena existência, e não há motivo ou explicação que a possa justificar ou explicar.

Eles podem ser diferentes, fisicamente e/ou psicologicamente, de qualquer um de nós mas isso não dá o direito de os desvalorizarem, e os excluírem dos mesmos direitos sociais que todos nós adquirimos.

Uma atitude, erradamente, comum na nossa sociedade e que dificulta cada vez mais a inserção, destes seres, na comunidade e no mundo.

O que muitas pessoas não pensam ou não querem pensar, é que eles tal como nós, são filhos de Deus e da mãe Natureza, e foram também criados na igualdade de direitos pessoais e sociais.

Além disso, não pensam que um dia podem ter, por força do destino um azar acidental, e virem a fazer parte do grupo a que, outrora, chamavam de deficientes.

Se toda a gente pensasse nisto, os preconceitos infelizes deixariam de existir dentro da nossa sociedade.

O primeiro passo, para que possamos entender e conhecer estes seres, é a aproximação pessoal de coração aberto.

Este processo, básico e acessível a todos, facilita a convivência com eles e o conhecimento do que sentem, do que podem fazer e, principalmente, o conhecimento do que realmente são.

Cada um de nós deveria tentar derrubar a cortina de preconceitos, que esconde a verdadeira identidade e personalidade destes seres, a que muitos tentam desvalorizar.

Assim, caída e derrubada essa cortina, veríamos com outros olhos esse mundo a que muitos fogem e teimam em ignorar, por acharem que é um mundo de seres inferiores.

Esta subestimação deve-se ao facto de estas pessoas, que se acham superiores, terem medo de admitirem que a verdadeira deficiência está nas suas antiquadas mentes.

Pois os seres a que eles chamam de –deficientes- são nada mais, nada menos, do que pessoas iguais a nós e de coração aberto para nós que tanto os magoamos com os preconceitos sociais.

Ao contrário de muitos de nós, eles não nos evitam nem são preconceituosos, só porque somos diferentes deles, apenas tentam mostrar que também são filhos de Deus e que podem viver em comunidade dentro da nossa sociedade.

Só quem conhece e convive, verdadeiramente com estas pessoas, é que sabe o quanto puras elas são e o quanto a Natureza as dotou de bondade e amor.

Estas sim, são verdadeiras pessoas e obras-primas da perfeição, pois elas não vêm nem sentem maldade.

São verdadeiros seres pois não desejam o mal nem prejudicam o próximo, tal como as pessoas que se acham «normais» o fazem.

Os seus corações só sabem bater por amor e paz, e esse é o reflexo dos seus sorrisos e dos seus olhares quando alguém lhes dá carinho e atenção.

Estas pessoas sim, são os verdadeiros seres a que Deus deu vida e que a Natureza aperfeiçoou com amor e pureza da bondade.

Marta Costa

Imaginei

ImagineiO ser humano é um ser pleno de surpresas e de inúmeras capacidades, ainda por desenvolver.

O certo é que, pouco a pouco, ele vai desenvolvendo e aperfeiçoando essas capacidades adormecidas.

Uma delas é a imaginação, a forma como podemos e conseguimos através de pequenos detalhes, imaginar coisas passadas, presentes e futuras.

Recentemente, vivi um acontecimento que originou  um explêndido desenvolvimento da minha capacidade imaginativa, em que a minha imaginação superou todos os meus sentidos e pensamentos.

Num dia em que o frio teimava em «obrigar» as pessoas a um retiro em casa, ou a um simples passeio de carro.

O cenário era só um, pessoas fechadas em casa em momentos de laser e, no exterior, filas de carros em marcha lenta de passeio, com vidros fechados protegendo do frio aquelas famílias que, voluntariamente, iam sorrindo à procura de poder esconder o sentimento tedioso, por estarem fechadas e não a pessearem ao ar livre pela cidade.

Imaginei, como seria se eu contrariasse todo aquele cenário!

Foi então que decidi colocar a minha imaginação em prática realista, e fui para a rua juntamente com a minha bicicleta.

Entreguei-me à cidade sem me deixar influenciar pelo frio.

Enquanto pedalava, ia-me apercebendo de variadíssimas coisas que, através dos vidros do meu carro, não me eram tão perceptíveis.

Durante o meu passeio, ia ouvindo os passarinhos a cantar de felicidade, ou até mesmo de protesto pela poluíção que os carros iam deixando à sua passagem.

Imaginei, o que sentiriam eles e como seria a sua reacção perante aquela poluíção toda!

Foi aí que vi os pobres pequeninos a protegerem as suas crias, com as sua asas de penas encardidas de sujidade poluídora.

E vi os machos, em defesa das suas famílias, a cantar numa melodia de protesto para com os poluidores, os Homens.

Continuei eu a pedalar quando senti, por breves instantes, uma pequena brisa que sem hesitar percorreu o meu corpo em pleno, deixando-me arrepiada.

Uma reacção voluntária do meu corpo não pelo frio, mas sim uma reacção de libertação da poluíção que andava no ar, e que teimava em sofucar os meus poros.

Após esse curto momento, dei comigo a ser estranhamente empurrada pelo vento que, insistentemente, me tentava demonstrar a sua força e poder.

Deixei-me levar por ele, e enquanto era guiada pelos seus braços ventosos, fui-me apercebendo ainda mais da intensidade da sua força e persistência.

Imaginei, como seria se eu fosse como ele!

Foi então que me senti forte e poderosa, capaz de empurrar para fora da minha vida todas as coisas más e negativas, e guiar persistentemente as coisas boas e positivas para o meu caminho, para o caminho da minha vida.

Senti-me capaz de tudo sem temer os obstáculos, tal como o vento que não teme nada nem ninguém.

Desliguei-me dessa imaginação e segui com o meu passeio, desta vez tinha chegado a um parque verdejante, onde tudo brotava a Natureza e onde os animais comtemplavam as pessoas com os seus comportamentos naturais da vida animal.

Enquanto pedalava junto da erva fresca, dei comigo a procurar um espaço para mim, naquele quadro tão natural e colorido.

Já sentada, em descanso, sob a frescura verdejante e encostada a uma pequena e solitária árvore, fui invadida por uma pacificidade e harmonia que me contagiou.

Imaginei, ao deliciar-me com aquela Natureza toda, como se sentiriam aqueles pequenos seres maravilhosos e irracionais!

Foi aí que vi, e senti, o quanto eles são felizes naquele «buraco» verde e natural, no meio de uma cidade poluída de betão armado.

Por breves momentos senti-me como eles, livre e feliz naquele espaço onde tudo tinha um aroma a harmonia e vida.

Senti-me realmente em Paz e em harmonia espiritual tal como aqueles animaizinhos, que dedicam as suas vidas a «pintar» um belo e fascinante quandro de Natureza.

Mas, o tempo não esperou por mim e as horas foram passando, quando me apercebi que já era altura de regressar de onde parti, a casa.

De volta à bicicleta começou de novo a minha pedalada, rumo ao meu ponto de partida.

Com muita pena minha, tinha deixado para trás aquela Natureza saudável, para me entregar novamente à poluíção da cidade stressante.

Desta vez, as filas de carros deram lugar a apenas alguns carros que ainda teimavam em passear.

Felizmente, isso proporcionou-me um passeio menos poluído e mais silêncioso onde pude , sem qualquer dificuldade, concentrar-me nos acontecimentos imaginativos que tinha vivido até então.

No entanto, essa concentração não durou o quanto eu desejaria, pois fui interrompida por um acontecimento inesperado e que, rapidamente, se tornou fascinante.

Momento esse em que te vi!

Tu, também tinhas dedicado o teu tempo a um, simples, passeio de bicicleta pela cidade como contrariedade ao frio, que se fazia sentir.

E juntos, como que de destino, seguimos o mesmo caminho, mas desta vez disfrutando a companhia um do outro.

Até que, inevitavelmente, tiveste que fazer uma pausa por motivos de força maior, e onde eu também partilhei essa paragem, como um gesto de camaradagem.

Algo de errado tinha acontecido à tua bicicleta, e eu simplesmente limitei-me a ficar ali, a observar-te.

Foi nesse preciso momento que, fascinantemente, algo se estava a passar comigo, pois rapidamente fui levada para o meu auge de imaginação.

Imaginei, como serias em tempos de criança!

A verdade é que a minha imaginação não só me levou ao teu tempo de criança, como também consegui visualizar-te nesse mesmo tempo.

Sim, a minha imaginação deu lugar a algo mais estranho, pois eu não te conhecia e mesmo assim consegui ver-te como eras em criança.

Eu visualizei-te!

Consegui ver, sem interferências de tempo ou espaço, quando tu eras ainda criança.

Uma criança maravilhosa e cuidadosa, que tentava ansiosamente resolver o pequeno problema da sua bicicleta, para poder regressar às suas aventuras «sobre-rodas».

Vi-te, tão jovem mas ao mesmo tempo tão habilidoso, que num piscar de olhos resolveste o que estava errado, e sorriste por saberes que irias voltar à aventura.

Resolvido o problema, e devolta à realidade, dei por mim a sorrir que nem uma garotinha feliz.

Foi maravilhoso, mas ao mesmo tempo algo estranho, pois tu eras-me desconhecido e mesmo assim consegui imaginar e ver-te em criança, numa época em que talvez eu ainda nem fosse nascida.

Decididamente, e graças a ti tive o meu auge imaginativo, e o maior crescimento da minha capacidade de imaginação, que até então nunca tinha conseguido.

Foi algo gratificante da minha parte, e que ficará sempre gravado e marcado em mim, pois transmitiu-me harmonia espiritual e Paz interior.

O dia chegou, por fim, ao seu limite e por conseguinte deu-se por terminado o meu, e agora nosso, passeio pela cidade, em busca daquela Paz e Harmonia que só contigo consegui que fosse real e plena.

Agora, fico com a esperança de um dia, que sabe, voltar a encontrar-te num outro pesseio e, juntos, conquistarmos novamente esse Bem-Estar.

Marta Costa

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